Uma história
Sete dias com o jogo da palavra secreta do dia
Seu Antônio tem 67 anos, mora em Belo Horizonte e joga Termo todo dia com o café. Numa segunda-feira, a filha mandou para ele outro jogo da palavra do dia, desses em que se adivinha pelo sentido. Esta é uma história inventada, mas cada coisa que acontece nela é exatamente o que o jogo faz.
Segunda-feira: frio de rachar
“Pai, já que o senhor termina o Termo em dez minutos, tenta esse”, escreveu a Cláudia, com um link. Abri, e era só um campo e uma pergunta: “Consegue descobrir a palavra secreta de hoje?”.
Escrevi a primeira palavra que me veio à cabeça, jornal. Gelado. Escrevi rádio. Frio. Achei que o jogo estava com defeito, até entender a regra: não importam as letras, importa o sentido. A palavra secreta é a mesma para todo mundo, e cada palpite recebe uma temperatura, de Gelado a Escaldante.
Fui dormir sem encontrar. Na terça cedo, a palavra já era outra: ela muda todo dia à meia-noite. Combinei comigo mesmo que a segunda não contava.
Terça-feira: o primeiro Quentinho
Mudei de tática. Em vez de palavras soltas, comecei por áreas inteiras: um bicho, uma comida, um objeto da casa, um lugar. A comida esquentou, e daí em diante foi como seguir um cheiro. Anotei o caminho no caderninho de palavras cruzadas, porque achei bonito. Foi mais ou menos assim:
- gaveta4 °CGelado: objeto da casa, nada feito
- comida41 °CMorno: a área certa
- filme63 °CQuentinho: aqui ela costuma aparecer
- manteiga66 °CQuente: o que vai junto
- pipoqueiro88 °CEscaldante: quem vende na porta da escola
- pipocaEncontrou!
Seis palpites. Fiquei tão contente que mandei o meu número para a Cláudia, sem a palavra, claro. Ela respondeu com um emoji de fogo e o número dela: nove. Apareceu também um convite para uma tal Palavra Quente, mas deixei para o dia seguinte.
Quarta-feira: a Palavra Quente
Encontrei a palavra do dia antes do almoço, e desta vez fui ver a novidade da véspera: a Palavra Quente. É uma palavra mais difícil que vale para a semana inteira. Para jogar, bastou criar uma conta grátis, que levou menos tempo que passar o café.
A graça da Palavra Quente é que não tem pressa. Dei uns palpites de manhã, outros de noite, e todos ficaram guardados. Não encontrei na quarta, nem na quinta. Ela me acompanhou a semana toda, como um quebra-cabeça em cima da mesa da sala.
Quinta-feira: a Trilha
Com a palavra do dia encontrada outra vez, abri a Trilha. São quatro palavras secretas em sequência, e cada uma leva à próxima. Quando encontrei a primeira, entendi o jogo: a segunda tinha a ver com ela, e a terceira com a segunda. Parece uma história contada em quatro palavras. Há uma Trilha nova toda semana, e eu já estou curioso para a próxima.
Sexta-feira: empaquei
Sexta foi dia ruim. Às onze da manhã eu tinha trinta palpites e nenhum passava de Morno. Toquei no botão “Preciso de ajuda”, meio envergonhado, e o jogo não me deu a resposta. Mostrou quem podia me ajudar: o grupo de jogadores no Facebook, o Warmer Warmer Brasil, onde todo mundo se ajuda em cada palavra, e a opção de escrever para a família ou os amigos.
Escrevi para a Cláudia. Ela não contou a palavra, que eu não teria aceitado. Mandou só uma palavra dela, que estava Quente. Dali em diante, foi comigo. Encontrei depois do almoço, com 41 palpites, e foi a vitória mais gostosa da semana.
Sábado: o arquivo
No sábado, a palavra do dia saiu cedo, e sobrou tempo. Descobri o arquivo: todas as palavras do dia passadas, as Palavras Quentes e as Trilhas. Sem conta, dá para experimentar uma palavra passada; com a conta grátis, abre-se uma por dia; e quem tem Premium pode jogar o arquivo inteiro.
Joguei a do domingo anterior, de antes de eu conhecer o jogo. Pensei: a Cláudia deve ter jogado essa. Liguei para perguntar quantos palpites ela tinha precisado. Treze. Eu precisei de dezenove, e não contei para ninguém.
Domingo: o almoço
No almoço de domingo, a palavra do dia virou assunto da mesa. A Cláudia, eu e o Pedrinho, meu neto de dezesseis anos, cada um tinha jogado no seu telefone, de manhã. Ninguém falou a palavra, porque a minha mulher ainda não tinha jogado e ameaçou sair da mesa. Só comparamos os números: Pedrinho onze, Cláudia sete, eu nove.
O Pedrinho comentou que dá até para criar um grupo da família, com palavras escolhidas por quem cria. Entrar num grupo é grátis, criar um vem com o Premium. Ainda estou pensando. Por enquanto, o meu ritual da manhã tem dois jogos: o Termo, que eu continuo jogando, e a palavra secreta do dia, que eu procuro pelo sentido.
O que fica da primeira semana
Para quem nunca jogou um jogo da palavra secreta do dia, a semana do Seu Antônio resume quase tudo: no primeiro dia, tudo parece gelado; no segundo, aparece o método de começar por áreas largas; depois vêm a Palavra Quente, a Trilha e o arquivo para quem quer mais. E, no fim, sobra uma conversa nova com quem está longe ou na mesma mesa.
As regras completas estão no tá quente, tá frio com palavras. Quem joga Termo, como o Seu Antônio, encontra outras ideias em jogos como Termo, e quem quer mais técnica pode ler como ganhar no Contexto e em outros jogos de proximidade.
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