Para brincar
Brincadeira quente ou frio: como brincar com as crianças
É uma das brincadeiras mais simples que existem. Alguém esconde um objeto e guia quem procura só com a temperatura: “tá frio”, “tá quente”, “tá pelando!”. Funciona na sala de casa, no quintal e na escola, e não pede material nenhum.
Como brincar, passo a passo
- Escolha um objeto pequeno que a criança reconheça: um carrinho, uma bola de meia, uma colher de pau, o chinelo do avô.
- Quem vai procurar sai da sala ou fecha os olhos e conta até vinte.
- Esconda o objeto num lugar que a criança consiga alcançar sozinha, sem subir em nada.
- A criança procura, e só ouve a temperatura. Longe do esconderijo, “tá frio” ou “tá gelado”. Chegando perto, “tá morno”, “tá esquentando”, “tá quente”. Com a mão quase em cima, “tá pelando!”.
- Encontrou? Troca-se de papel. Agora é a criança que esconde e o adulto que procura.
Uma rodada dura de dois a cinco minutos. Com três ou quatro crianças, cada uma esconde uma vez e todos procuram juntos, ou uma procura enquanto as outras guiam em coro.
As regras que evitam briga
Não vale apontar. Quem escondeu fala só a temperatura. Nada de “olha embaixo da almofada”.
A temperatura tem de ser honesta. Se a criança se afastou, esfriou, mesmo que ela fique um pouco frustrada. É isso que faz a brincadeira funcionar.
O esconderijo tem de ser possível. Nada dentro de gavetas trancadas, de armários altos ou de lugares perigosos, como perto do fogão.
Todo mundo esconde uma vez. Para os pequenos, o melhor momento é ser quem sabe o segredo.
Variações por idade
De 2 a 3 anos. Esconda um objeto grande e deixe uma ponta aparecendo. Use a voz como termômetro: baixinho quando está longe, cada vez mais alto quando chega perto. Nessa idade, a alegria de encontrar vale mais do que a dificuldade.
De 4 a 5 anos. Experimente a versão com palmas, sem nenhuma palavra: palmas lentas quando está frio, rápidas quando esquenta. Outra opção é a música: o volume sobe conforme a criança se aproxima. Ótima para turmas barulhentas, porque todos precisam fazer silêncio para escutar.
De 6 a 8 anos. Deixe a criança esconder e guiar o adulto. Para dar a temperatura certa, ela precisa calcular distâncias e pensar no caminho do outro, e costuma adorar o poder de dizer “esfriou!”.
A partir de 9 anos: esconder uma palavra. Quando a sala já não tem mais esconderijo novo, a brincadeira pode ir para a cabeça. Um adulto pensa numa palavra e a criança dá palpites. A temperatura agora mede o sentido: quanto mais o palpite tem a ver com a palavra secreta, mais quente. Uma rodada poderia ser assim, com a palavra picolé (os números são só um exemplo):
- sapato4 °CGelado: nada a ver
- calor45 °CMorno: quando ele faz sucesso
- sobremesa58 °CQuentinho: é de comer, e é doce
- sorvete84 °CQuente: quase a mesma coisa
- palito87 °CEscaldante: o que sobra na mão no fim
- picoléEncontrou!
O bonito é que palito e picolé não têm quase nada em comum na escrita, e mesmo assim o palpite esquentou. A criança descobre sozinha que as palavras moram em vizinhanças: o que se come junto, o que se usa no mesmo lugar, o que aparece na mesma estação.
Qual é o objetivo da brincadeira na educação infantil
Para quem precisa escrever o objetivo no plano de aula, a brincadeira quente ou frio trabalha várias coisas ao mesmo tempo:
- Orientação no espaço: perto e longe, em cima e embaixo, dentro e fora, à direita e à esquerda.
- Escuta e atenção: a criança precisa parar, ouvir e ajustar o caminho a cada resposta.
- Vocabulário: quente, frio, morno, gelado e os opostos em geral, além do nome dos objetos e dos lugares da sala.
- Convivência: esperar a vez, trocar de papel, aceitar ajuda de quem sabe o segredo e guardar segredo quando é a sua vez.
- Persistência: ouvir “tá frio” e continuar procurando, sem desistir.
Para quem planeja com a BNCC, a brincadeira conversa bem com os campos de experiência “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”, “Escuta, fala, pensamento e imaginação” e “O eu, o outro e o nós”.
Dicas para o adulto que esconde
Fale devagar e com graça. O exagero faz parte: “brrr, tá geladíssimo!”, “cuidado, tá pegando fogo!”. As crianças riem e prestam mais atenção.
Comece fácil. As primeiras rodadas devem terminar em vitória. A dificuldade sobe quando a criança já entendeu o jogo.
Deixe a criança ganhar a discussão de vez em quando. Se ela jura que estava quente, vale rir junto e repetir a rodada.
Use o que já está em casa. O lanche da tarde escondido vira caça ao tesouro. A meia perdida também.
Quando as crianças crescem, quem continua são os avós
Muitos avós ainda brincam de quente ou frio com os netos nas visitas, e a versão com palavras é uma ponte natural entre gerações: o neto escolhe a palavra, o avô procura, e depois o contrário. Quem quer levar a brincadeira para os adultos encontra as regras completas no tá quente, tá frio com palavras.
Há também uma versão online, o Warmer Warmer, com uma palavra secreta por dia, a mesma para todo mundo, grátis no navegador. As crianças podem tentar ao lado de um adulto, e os avós de longe procuram a mesma palavra no seu próprio telefone. Mais ideias de brincadeiras que atravessaram gerações estão em brincadeiras de antigamente e em jogos para fazer com os avós.
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