Para cuidadores
Estimulação cognitiva para idosos: uma oficina de palavras pronta
Para terapeutas ocupacionais, cuidadores e quem coordena centros de convivência e casas de repouso: uma oficina de 45 minutos feita só de palavras. Pede uma folha de papel, uma caneta grossa e, se houver, uma televisão. São cinco blocos, cada um com tempo, material e adaptações.
Antes de começar
O grupo. Entre seis e doze pessoas funciona bem. Menos que isso, a conversa morre; mais, nem todos falam.
A sala. Cadeiras em roda ou em volta de uma mesa, para que todos se vejam. Se houver quadro ou folha grande na parede, melhor: as palavras escritas ajudam quem ouve pouco.
O tom. Ninguém erra numa oficina de palavras. Um palpite longe é só um palpite longe, e o riso vale mais do que a resposta certa. Vale combinar isso em voz alta logo no início.
O objetivo. Conversar, lembrar, prestar atenção, escutar o outro e esperar a vez. É uma atividade de convivência e de estímulo, não um teste e muito menos um tratamento.
Bloco 1: a palavra que puxa lembranças (10 minutos)
Escreva uma palavra bem grande no quadro: quintal, por exemplo. Cada pessoa conta uma lembrança ligada a ela, em uma ou duas frases. O quintal da avó, a goiabeira, o varal, o cachorro que pulava o muro.
Material: só o quadro ou uma folha grande. Para aquecer, escolha palavras com cheiro e cor: feira, bonde, quermesse, radionovela, baile.
Bloco 2: o ABC do tema (8 minutos)
Escolha um tema, como frutas, cidades ou nomes próprios, e percorra o alfabeto em roda. A primeira pessoa diz uma fruta com A, a segunda com B, e assim por diante. Quem travar pode pedir ajuda ao vizinho: aqui, ajudar faz parte do jogo.
Adaptação: para um grupo com mais dificuldade, troque o alfabeto por uma lista livre. “Quantas frutas conseguimos lembrar juntos?”, com o coordenador anotando todas no quadro.
Bloco 3: quente ou frio com uma palavra (12 minutos)
É o bloco que costuma render mais risada. O coordenador escreve uma palavra secreta num papel, dobra e deixa à vista, para ninguém desconfiar de trapaça. O grupo dá palpites, um de cada vez, e o coordenador responde só com a temperatura, como na brincadeira de criança: “frio”, “morno”, “esquentando”, “quente”, “pelando!”.
O segredo é escolher uma palavra rica em caminhos, ligada à vida do grupo. Com sanfona, uma rodada poderia ser assim (os graus seguem a escala da versão online e são só um exemplo):
- garfo3 °CGelado: nada a ver
- baile52 °CQuentinho: onde ela costuma estar
- forró76 °CQuente: o ritmo que pede uma
- fole84 °CQuente: a parte que respira
- acordeão96 °CEscaldante: o mesmo instrumento, com o nome mais usado em Portugal
- sanfonaEncontrou!
Depois de encontrar, vale puxar a conversa: quem dançou forró, quem tinha sanfoneiro na família, que música lembra. Uma palavra encontrada vira o assunto do resto da tarde.
Adaptação: anote no quadro cada palpite com a temperatura ao lado. Assim, quem ouve pouco acompanha, e quem esquece o que já foi dito encontra a lista ali.
Bloco 4: a palavra do dia na tela (10 minutos)
Se a sala tem uma televisão que se liga ao telefone ou ao computador, o grupo pode encarar a palavra do dia do Warmer Warmer, a versão online do quente ou frio com palavras. Há uma palavra secreta nova por dia, a mesma para todo mundo, e a cada palpite o jogo mostra uma temperatura com um nome fácil: Gelado, Frio, Fresco, Morno, Quentinho, Quente, Escaldante.
O grupo dita os palpites e o coordenador escreve. É grátis, abre no navegador e não pede para criar conta, o que poupa tempo antes da oficina. Não há cronômetro nem limite de palpites, então a palavra pode ficar para a próxima sessão, se for o caso.
Bloco 5: a roda de encerramento (5 minutos)
Cada pessoa diz qual foi a palavra mais quente do dia para ela, e por quê. Não precisa ser a palavra secreta: pode ser a lembrança do primeiro bloco ou o palpite engraçado do terceiro. Terminar com cada voz ouvida mais uma vez faz diferença.
Adaptações para todo grupo
Baixa visão. Caneta grossa, letras de pelo menos cinco centímetros no quadro, alto contraste. Na televisão, aproxime as cadeiras.
Baixa audição. Repita cada palpite em voz alta antes de responder e escreva a temperatura no quadro. Fale de frente para o grupo.
Mais dificuldade de memória. Palavras do cotidiano, menos regras, mais tempo. Nada de corrigir: se alguém repetir um palpite, responda de novo com a mesma alegria.
Pouca mobilidade. Todos os blocos funcionam sentados. Para quem não pode escrever, basta falar.
Para variar de uma semana para outra
O bloco 3 aceita temas: na semana de festa junina, palavras de arraial; perto do Natal, palavras da ceia; no aniversário de alguém do grupo, palavras ligadas à história daquela pessoa. O bloco 2 pode virar adedanha falada, com o tema e a letra sorteados na hora. As regras e uma lista de temas estão em adedanha ou Stop.
Para conhecer melhor a mecânica do quente ou frio com palavras, o passo a passo está no tá quente, tá frio com palavras. E para famílias que querem oferecer o mesmo tipo de passatempo em casa, há um guia em jogos para idosos exercitar a mente.
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